domingo, 4 de novembro de 2007

Barbara Heliodora



















Crítica, uma vez li esta definição num livro de Psicologia Social: é a maneira que o outro tem de dizer que é melhor que você e, ainda apontar todos os seus defeitos. Bárbara Heliodora é crítica de teatro há mais de 50 anos. A pesquisadora Maria Inês Barros de Almeida dá um perfil do paradoxo que a crítica e teórica provoca no panorama teatral: "Barbara Heliodora é a crítica mais influente do teatro carioca. À sua opinião, rigorosa e durona, atribuem o poder de fazer e desfazer espetáculos. Pela gente de teatro é discutida, temida - já foi alvo de confrontos e desafios de diretores inconformados. A sua fama como colunista de jornal, portanto, ultrapassa outro aspecto da sua vida cultural, a que se dedica com igual intensidade. Estou me referindo à comunicação direta com o público, em salas de aula, em ensaios de textos dramáticos, em conferências, enfim, na constância com que dissemina cultura, convivendo com grande número de pessoas e atendendo-lhes à curiosidade e ao desejo de saber. É aí que aparece a Barbara mestra, madrinha dadivosa, flexível, exuberante, que conquista os espíritos e as mentes e, pelo prazer didático repartido, comunga com as platéias. Neste papel, tenho observado, Barbara Heliodora conquista a todos que a conhecem. É uma unanimidade". Em entrevista que concedeu no programa de Jô Soares, o apresentador de um modo sutil e inteligente tentou desqualificá-la como crítica de teatro. Primeiro invocando Décio Almeida Prado e Sábato Magaldi como críticos isentos e os melhores. Depois tentando induzí-la a dizer que suas críticas tinha haver com o que ela acharia que tinha que ser a peça e não criticar a peça dentro do que o autor, diretor, enfim, tinha proposto. Mas, o mais desrepeitoso foi o apresentador aparentar que nao sabia nada sobre a entrevistada. Tudo de forma bem elegante, fazendo perguntas do tipo: você já dirigiu teatro? O mínimo que ele deveria ter lido era a pauta sobre a entrevistada. Fez parecer que não sabia da sua importância como crítica de teatro, estranho para alguém que atua no teatro mais ou menos o mesmo tempo que ela atua como crítica. Se não sabia de sua importância como crítica deveria ao menos respeitá-la, pois esta é talvez a pessoa que mais entenda Shakespeare no Brasil. Seja qual o assunto mal resolvido que tenha com Bárbara Heliodora, seu programa não era o local adequado para resolvê-lo. Este seria com um terapeuta. Aquele local era o local de tratá-la com respeito, se não como crítica de teatro importante que o é, então, como uma senhora de 84 anos que estava ali na sua frente. Talvez Jô Soares tenha lido o mesmo conceito de crítica que eu li e acredita piamente nele. Talvez na condição de pessoa super inteligente que ele é, achou que na sua vida nunca precisou de ter humildade, por isto nunca precisou aprender nada que venha desta senhora.

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