quarta-feira, 30 de maio de 2007

Canção para um Funeral


W.H.Auden

Parem os relógios,
cortem os telefones, impeçam o cão de latir,
dêem-lhe um osso em meu nome.
Silenciem os pianos e ao som de abafados tambores
façam entrar o caixão com o lamento dos pranteadores.
Que os aviões de luto, em sua homenagem,
nos círculos de um tempo absorto, escrevam no céu a mensagem:
Ele está morto!
Ponham laços de fumo nos pescoços brancos das pombas que habitam as praças.
Façam os guardas de trânsito usar luvas pretas de algodão sem jaça.
Ele era meu norte,
meu sul,
meu leste e oeste, minha
semana de lutas, meu domingo de festa,
minha noite,
meu dia, a conversa e a canção.
Pensei que o amor fosse eterno,
pura ilusão.
Esta noite as estrelas já não me seduzem.
Dispensem todas!
Embrulhem a Lua e desmantelem o Sol!
Afastem mares e bosques, apaguem toda cena!
Pois nada mais, agora, vale a pena.

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